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Sweetener

Ser feliz com adoçante!

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Ser feliz com adoçante!

17
Mar17

Viver na Alemanha - o fim

Hoje é o meu último dia de trabalho. O penúltimo dia desta minha estadia na Alemanha (voo na madrugada de Domingo). Praticamente a chegar o fim de uma experiência com pouco mais de dois meses. Dois meses que foram tão longos mas ao mesmo tempo tão na medida certa.

 

Como em todas as experiências na vida, cresci. Um bocadinho como pessoa, bastante como mulher. Aprendi tanto mas ao mesmo tempo aprendi tão pouco... Experimentei sentimentos e sensações que sempre estiveram visíveis e eu recusei durante anos aceitar. Travei conflitos com coisas perfeitamente desnecessárias que estavam escondidas mas que eu quis procurar. Precisei de remexer no passado, lavar toda a roupa suja que tinha a lavar e sair de cabeça erguida.

 

Lamento a forma como vou, principalmente do trabalho. Custa-me, apesar de pouco tempo, o que fiz ao meu patrão. Aquele homem foi impecável comigo, em todos os sentidos. Deu-me férias quando não tinha direito a elas, esteve sempre disponível a ouvir-me e nunca se impôs a nenhuma das minhas decisões pessoais. Pintaram-me o homem como sendo o diabo, mas nunca eu tal vi. Quem mo pintou também não é santo, e nunca saberá o que é receber elogios pelo trabalho bem feito. (Isto porque ontem foram entregar-me a rescisão do contrato e entre muita conversa foi-me dita uma daquelas verdades incontestáveis que só se dizem quando são 100% verdadeiras porque nada se ganha em mentir. Foi-me dito que nunca aquela escola esteve tão bem limpa como durante os dois meses que eu ali trabalhei. Apesar de não ser o trabalho de sonho de uma rapariga de vinte e um anos, não posso deixar de me sentir orgulhosa e mais uma vez agradecer à maravilhosa mãe que tenho por todas as ferramentas que me deu na vida!)

 

Hoje é também dia de tratar da burocracia. Cancelar tudo o que respeita a legalização, ver se não deixo pontas soltas para depois o fisco não correr atrás de mim! Amanhã, é dia de fazer as malas e abastecer-me de tudo o que é doce para levar a quem me espera na outra ponta da Europa!

 

Respirar fundo e deixar a poeira assentar. Recomeçar, naquele que será sempre o meu país 

 

15
Mar17

Viver na Alemanha - a conta bancária

A primeira coisa que o meu patrão me exigiu foi uma conta bancária. Pelos motivos óbvios ou não quisesse eu auferir de salário. Eu já tinha decidido o banco em que queria abrir, não por alguma condição em especial, mas porque fui super bem atendida por um moço bem jeitosinho - no inglês! Derivado ao meu pai cá estar, sugeriu abrir no banco dele porque havia lá uma portuguesa que me poderia ajudar melhor. Depois de uma grande confusão, acabei por ir para lá.

 

Foram me cobrados 50€ iniciais (só hoje percebi porquê) e 12€ no imediato pela anuidade do cartão. Não aderi ao homebanking porque me pediram 62€ para tal! Desde quando é que para se ter homebanking se paga?! Mas bom, adiante. Foi me dito também que seriam cobrados mensalmente 2,90€ derivados a ser uma conta ordenado - porque se não fosse, a despesa mensal era de 6,90€. O cartão chegou num prazo super sónico - três dias depois! Uau, aquilo foi mesmo rapidez! Na mesma semana, já tinha tudo em ordem e pronto a usar.

 

Ontem aproveitei a manhã para passar por lá e informar-me como deveria proceder tendo em conta que pretendo regressar a Portugal. Como não gosto de ter cá favores, desenrasquei-me como soube e foi o inglês que me ajudou. A senhora, super atenciosa disse-me que podia cancelar a conta na hora. O problema é que ainda vou auferir de ordenado no mês que vem então não poderia ser. Sugeriu-me então deixar uma ordem escrita, com a data pretendida para eles encerrarem a conta, e pediu juntamente que eu lhe levasse o meu IBAN e BIC da conta portuguesa para eles assim me transferirem o respetivo valor. Disse também que os tais 50€ seriam devolvidos passado um ano, porque aparentemente foram uma espécie de caução.

 

Pareceu-me boa a solução encontrada e será mesmo isso que farei. Não sei se pagarei alguma coisa pela transferência mas mesmo que sim, compensa o trabalho e a chatice de meter mais alguém no assunto. Gostei sobretudo da simpatia e atenção com que fui tratada, e apesar de inicialmente não ser o banco onde queria abrir conta, não me posso queixar até hoje.

 

07
Mar17

Viver na Alemanha - as compras

Além de todos os fatores encontrados até ao dia sobre ficar ou não pelo estrangeiro, há aqueles pormenores aos quais ninguém liga, mas que ajudam a balança a pender para um dos lados.

 

Fui me apercebendo ao longo destes dois meses, nas idas ao supermercado de alguns preços que fazem parte do meu dia-a-dia aqui. Tenho muita tendência a comparar os preços a Portugal, embora saiba que não o devia fazer. Porque não se ganha o mesmo que lá, logo os preços não podiam ser irmãos gémeos. O problema é que por vezes, nem primos são!

 

Acho que nas questões essenciais, estou pronta para me desenrascar. Tive e tenho uma exelente professora. A minha querida mãe ensinou-me entre muitas coisas, como fazer boas compras. Verificar o preço ao quilo, nomeadamente da carne/peixe, é uma regra base. Se eu vos disser que um quilo de peito de frango chega a custar onze euros, acreditam? E um quilo de salmão à posta, atenção que não são os lombinhos, consegue chegar aos dezassete euros/quilo, acreditam? Talho e peixaria são imensamente mais caros comparativamente ao que estava habituada.

 

Passamos então à fruta e aos legumes, dos quais não sou propriamente consumidora mas fiz, mesmo assim, as minhas comparações. Aqui os preços já são semelhantes. Indo aos poucos artigos que consumo, as framboesa custam o mesmo que em Portugal, as maçãs andam bem lá perto e os citrinos custam exatamente o mesmo. Já os legumes, são ligeiramente mais baratos.

 

Padaria é mais cara, sem dúvida alguma. Uma baguete simplicíssima chega a custar um euro! Pão de forma, croissants e mimos de pequeno-almoço custam entre vinte a cinquenta cêntimos a mais. Os lacticínios são mais baratos, nomeadamente os iogurtes. O leite é ao mesmo preço.

 

Produtos de higiene feminina custam o dobro! Ok, estou a mentir. Vistas bem as coisas custam o mesmo, na volta dos quatro-cinco euros caixa. Mas todas sabemos que só nos abastecemos dessas coisinhas quando estão a metade do preço no Continente ou no Pingo Doce, correto? O gel de banho e champô é uma pechincha - compro gel de banho a cinquenta cêntimos e champô de 250ml a noventa cêntimos, da Schwarzkopf, acreditam? Assim sim, vale a pena!

 

O que é sem dúvida quase oferecido, é o quê? Todas aquelas coisas que fazem bem à nossa saúde: as gulumisses. Pois é, tudo tão barato que até dói. Dói, mas não é na carteira, é na balança, depois de alguns meses a viver assim! Sabem quanto custam as tabletes pequenas da Milka? Setenta e nove cêntimos, ouviram bem, é isso mesmo. Como pode uma pessoa que não se afogar em chocolates aqui?! Depois admiram-se que as pessoas andam gordinhas por estes lados... Num aspeto, tenho que ser sincera: nas primeiras duas semanas, consumi bastantes doçuras, mas agora, dia-a-dia, parece que nem me chama. Provavelmente sou eu que já enjoei, ahahah.

 

Tirando os frescos, os preços estão ela por ela. As diferenças notam-se pelo facto de não haver promoções pontuais nem semanais. Há cartão cliente na maioria dos estabelecimentos, que acumula pontos conforme o valor das compras. Não há cá cupões ou ofertas especiais e muito menos somos premiados com 5€ após 500€ em compras no Continente. Pronto, é isto 

 

27
Fev17

Viver na Alemanha - colegas de trabalho

Há um mês, falei sobre o trabalho. Hoje, falo sobre os colegas.

 

Nesta semana que passou, o patrão ligou-me e pediu-me se podia ir fazer as horas de um casal que ia de férias. Não vi problema aparente tendo em conta o gesto que ele teve ao deixar-me ir a Portugal quando ainda nem direito a férias tenho. Só cinco dias, desde ontem até quinta-feira. É ainda mais longe que a escola que faço, tendo que apanhar mais autocarros para chegar ao novo destino. O trabalho baseia-se a escritórios - é um stand automóvel. Foi-me dito que seriam três horas e meia (porque era 1h45m a cada elemento do casal), e logo quando fui ver o local, achei 'demasiado' tempo e que certamente o faria em menos. Então em comparação, a escola que faço precisaria de cinco a seis horas para fazer tudo em condições!

 

O stand é limpo de segunda a quinta, e o dia de sexta pode ser feito ao Sábado ou Domingo. Optei por ir ontem pela manhã e fiz tudo como me fora indicado quando fui ver o trabalho. Dirigi-me então aos arrumos e preparei-me para começar a limpeza pelo mais leve: os escritórios. Houve salas que me assustaram pelo nível de pó encontrado. Posso dizer com certeza que aquilo não tinha sido limpo nem na sexta-feira passada, nem na da semana anterior. Uma coisa que me foi dita pela minha madrasta (que também trabalha na empresa), foi que quem faz estes trabalhos temporários por faltas, doença ou férias dos empregados destacados ao lugar, não tem que limpar o que os mesmos deixam mal limpo. Ou seja: eu não devia ter limpo o pó a fundo como limpei. Porquê? Porque ninguém me vai agradecer, estou a fazer-lhes um favor e estou também, apenas a evitar que eles ouçam reclamações. Mesmo assim. não me arrependo. Não era capaz de ver aquilo e não limpar. Tal como não fui com a máquina de limpar o chão. Essa foi a melhor!

 

Aprendi a usar uma máquina destas na escola onde trabalho. Tenho que a encher, limpar filtros, borrachas, depósito de água suja e todas as coisas normais a respeito de manutenção. Apesar da máquina encontrada no stand ser diferente, achei estranho os sítios por onde passava estarem a ficar mais sujos do que aquilo que estavam. Decidi investigar. Ao abrir o depósito da água, ia morrendo... Estão a ver uma máquina de lavar o chão, certo? Ora, o depósito da água suja, não era água suja. Era água preta, e não estou a exagerar, preta mesmo. Até já tinha cheiro, por isso, imaginem há quanto tempo aquela água não estaria ali estagnada! Como já tinha perdido imenso tempo com estas manobras, deixei ficar tudo praticamente igual e lavei o chão à mopa sendo que amanhã, vou ver se trato do assunto como deve ser, mesmo não sendo minha obrigação.

 

Estou chocada e indignada. Como podem estas pessoas considerar-se empregadas(os) de limpeza? Eu, tenho a mania que sou uma princesa, e por isso, nunca, por sombra alguma me imaginei neste ramo. É um trabalho digno, é sim, mas custa-me de certa forma fazê-lo. Agora, apesar de não gostar, não significa que não o saiba fazer ou que não o faça em condições! E a prova é que tenho sido elogiada vezes sem conta em nem dois meses de trabalho!

 

Em desabafo, perguntei se devia contar ao patrão o que tinha visto e o meu pai sugeriu que não o fizesse. Aparentemente criaria atritos e a minha palavra não seria tida em conta. Ok, ótimo, eu fico calada. Mas caso mais alguma vez tenha que ir fazer o trabalho dos outros, seja por que motivo for, juro que não vou limpar melhor do que aquilo que eles fazem diariamente! Se limpam mal, problema deles. Eu assumo as culpas na minha escola, e nada mais!

 

21
Fev17

Viver na Alemanha - o ordenado

Aqui os ordenados são pagos entre 13-15 de cada mês. Assim, coincidiu com o intervalo em que estive em Portugal. Como organizada que sou, fui fazendo as contas ao meio mês de Janeiro que trabalhei, e sabia portanto mais ou menos quanto ia auferir.

 

Vi o valor no dia em que fui embora mas como não me pareceu de longe o correto, decidi esperar até voltar para entretanto confrontar com o recibo das horas que havia de receber. Sabia que era paga a 10€ à hora (brutos). Pareceu-me mais que bom! No entanto, neste valor está incluído tudo o que podem imaginar: subsídio de alimentação é uma delas. O chamado 13º mês, aqui não existe! Achei estranho mas se o valor é tão alto, para quê reclamar. O meu pai já me tinha avisado que por não ter filhos e não pagar renda, ia descontar bastante.

 

Tal como já acontecia em Portugal, pensei. Pois bem, não. É muito mais!

 

Sabem quanto é que uma pessoa solteira e sem despesas aparentes desconta aqui?

Uns maravilhosos 16% minha gente, 16! Estou incrédula, verdadeiramente.

Ah, e fora mais umas taxaszinhas que vêm sempre por acrescento!

 

Conclusão: se vos oferecerem 2000€ no estrangeiro não se iludam nem achem que o valor é muito alto, porque destes, só vão receber perto de 1500€. Têm uma renda de 700€ para pagar, 50-100€ pela recolha de lixo (valores variam de zona para zona e pelo numero de pessoas), 200€ para contas (não inclui televisão, que é obrigatório pagar nem Internet, que é opcional. Só e apenas água, luz e gás), perto de 100€ pelos transportes, fora tudo o que seja de alimentação.

 

Compensa? Eu, na minha modesta opinião, acho que não.