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Sweetener

Ser feliz com adoçante!

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Ser feliz com adoçante!

03
Nov19

Escolher ser (mais) feliz

Nos últimos meses tenho andado meia apagada por aqui. O fim das aulas do curso que estou a tirar, o início do estágio, tudo isto misturado com outros fatores, têm me impedido de viajar até aqui, de vos ler, saber da vossa vida e trocar ideias convosco. Têm sido semanas mais intensas que o habitual e no meio disto tudo, tenho vindo a acumular coisas e coisas para vos contar mas a gestão diária tem sido meio complicada e não me tem permito atualizar-vos.

 

Posto isto, hoje vou contar-vos a maior reviravolta que a minha vida deu: separei-me.

 

Foi uma decisão tomada com precaução e muito bem pensada. Chegámos à conclusão que não queríamos as mesmas coisas no futuro e ao invés de insistir em algo que não iria funcionar, optámos por colocar termo à nossa relação a tempo de conseguirmos ficar amigos.

 

Apesar de ter sido uma decisão mútua, eu estive mais determinada nesta mudança. Cheguei à conclusão que toda a gente sabe mas que eu teimava em não querer interiorizar: o amor só não chega. Por muito que se tente, por muitas pontas que se ate, assuntos que se esqueçam, a mágoa fica. E chega um dia que decidimos. Decidimos que vemos aquela pessoa como um amigo e não como um companheiro. Decidimos que queremos algo diferente do que aquilo que temos tido. Decidimos e aceitamos que não é uma derrota terminar uma relação longa mas sim um ato de coragem. Coragem para mudar, coragem para assumir que não se estava bem. Coragem para enfrentar todas as pessoas que vão falar, julgar e dizer "Mas pareciam tão felizes!". 

 

Eu decidi e escolhi ser (mais) feliz. E estou tão orgulhosa disso! 

 

12
Out18

Desafio - 52 Semanas

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Semana 41: As coisas mais difíceis num relacionamento amoroso são...

 

Este tópico tem muito que se lhe diga... E eu ainda preciso de aprender tanto!

 

- A compreensão. Devia ser natural mas tem alturas que acaba por não o ser. Julgamos nos mal compreendidos quando, se pensarmos bem, também não somos compreensivos. É mais difícil do que parece colocar-se no lugar do outro, com outras circunstâncias. Devemos fazer um esforço.

- A divisão de tarefas. Por muito que já tenhamos conquistado, ainda existe a ideia que a mulher tem que tratar da casa, fazer as refeições, cuidar dos filhos. Fico muito triste quando digo de peito feito que o meu Doce partilha as tarefas domésticas comigo e levo gozos. Porque um homem não deve nem tem de ajudar. Ajudar, sabem. Porque é só a mulher que suja...

- A expectativa. Temos tendência a colocar las bem la no alto, achar que vai ser um conto de fadas. É um erro crasso. Se formos realistas quanto ao que esperar, seremos bem mais felizes.

- As finanças. Sem dúvida, o que leva muitos casais a deixarem de o ser. A parte financeira é um problema, sobretudo se os dois não virem o dinheiro da mesma maneira. Provoca muitas discussões e desentendimentos. Porque não auferem do mesmo, porque não poupam da mesma maneira, porque não pensam no futuro... É demasiado extenso este ponto.

- Os planos. Muitas vezes entramos numa relação sem fazer as perguntas básicas. Se querem casar, ter filhos. E mesmo quando se fazem, como pode uma pessoa dar uma resposta acertada quando não sabe no que aquilo pode dar? Porque a vida muda, e de repente, podemos perceber que afinal aquilo que sempre quisemos, já não queremos. Ou pelo menos não com aquela pessoa.

- A família. Nem sempre somos recebidos como esperamos pela família da nossa cara-metade. Coisa que acaba por ser tema de conversa, provocar atritos porque afinal, família é família...

 

Pronto, acho que é isto 

 

17
Fev18

Será que o amor só, chega?

Esta é uma pergunta que tenho feito imenso nas últimas semanas. Embora a frequência com que a faço seja constante, ainda não consegui ter uma resposta suficientemente satisfatória.

 

Passo a vida a esconder os meus problemas, as minhas dúvidas, as minhas questões. Tenho medo, vergonha ou receio que mais cedo ou mais tarde, as minhas fraquezas e falhas sirvam como arma de arremesso. Este medo existe e está demasiado enraizado em mim, porque toda a vida foi assim. Com maior ou menor frequência, vem sempre meia farpa de algo que já lá vai. 

 

Depois de tanto, confiar tornou-se uma coisa demasiado difícil para mim. Já não sou a mesma rapariga ingénua e doce que era há bem pouco tempo. Muita coisa mudou em mim ao longo dos anos, e muita coisa ainda certamente irá mudar. Tornei-me insegura e tenho muito pouca auto-estima. Não me valorizo, não reparo em mim, não me elogio, não me aprecio.

 

Deixei de ter aquela alegria no rosto, aquele brilho no olhar. Deixei de me sentir viva. Faço as coisa porque tem que ser, porque é a rotina, porque é a vida. Londres deixou em mim marcas irreversíveis. Marcas que mesmo depois de tanto tempo, não consigo apagar ou atenuar. Desde aí, a minha vida mudou completamente. Deixei de ser eu. Deixei de ter vontade, deixei de gostar intensamente das coisas como gostava antes. Perdi a coragem, perdi a essência.

 

Aos poucos tornei-me uma pessoa mais fria, fechada. O choro virou rotina, a vontade de desistir esteve presente em dias verdadeiramente maus. Pedi ajuda e fui gozada. Limitei-me a existir.

 

Fui obrigada a ir trabalhar e o trabalho ajudou. Pouco tempo depois, o Doce esbarrou na minha vida e soube que ele a ia virar de pantanas. Percebi que tal como eu, ele usava uma máscara. E essa máscara começou e despertar coisas em mim. Relembrou-me o que eram sentimentos como a atração e o gosto. A vontade de querer conhecer. A vontade de querer sentir-me viva.

 

Vivi sempre para os estudos e nunca fui muito bem sucedida no campo amoroso. Quando alguém se interessou por mim, fiquei cega. Fui atrás que nem uma pateta, burra que nem uma porta. Foi uma relação psicologicamente marcante, de ano e meio, que terminou via SMS. Fui ridícula e pedinchei-lhe amor. E após entender que merecia melhor, segui em frente. 

 

Após quatro anos, quatro anos em que vivi bem comigo mesma, apareceu ele. Tagarela. Nitidamente mais velho, mal eu imaginava o quanto... Foi demasiado tarde quando soube, e acabei por lhe cair nas graças. Voltei a abrir-me ao amor. 

 

Vivi intensamente, fizemos tudo muito rápido. Cama, amigos, família. Tudo. Tornou-se um dado adquirido, embora ambos soubéssemos que havia um imenso caminho a percorrer. As nossas feridas estavam ainda demasiado abertas e sabíamos que mais cedo ou mais tarde ia dar asneira.

 

E deu... Finalmente consegui que ele confiasse em mim, mas não estava preparada para aquilo que ouvi. Foram demasiadas coisas ao mesmo tempo, demasiadas emoções e revelações. Demasiadas opiniões, demasiados bitaites. A minha ansiedade, esta vontade estúpida de querer tudo para ontem pode ter acentuado o lado negativo. Como se luta por algo que achamos valer a pena, quando percebemos que por trás dos sorrisos, 80% do mundo está contra esta relação? Como é que duas pessoas completamente diferentes lutam para continuar juntas.

 

Mas numa altura em que me falta a esperança apenas me pergunto: será que o amor só, chega?

 

11
Jan18

A perda de confiança

Ontem descobri que alguém muito próximo me mentiu.

 

Mentiu mesmo e envolveu algo que eu acredito tão depressa não conseguir perdoar. Estou preocupada, principalmente porque sinto que não sou capaz de voltar a confiar. E sendo a proximidade que é... Sem confiança, não pode haver relação. Não sei se espero que a pessoa tenha a consciência e consideração de vir falar comigo, se deixo completamente passar ou se vou ter com ela e a confronto. Embora eu saiba que se a for confrontar, vá ser muito feio...

 

Ajudem-me... Por favor. Obrigada

 

16
Mar17

O dia do pai

Acho que nunca foi surpresa por aqui o facto de raramente falar do meu pai. Pai... Será que posso sequer chamar-lhe isso...? Já houve tanta volta nesta relação que devia ser das mais fortes. Há muita (ou talvez nem seja assim tanta) história. Os muitos e diferentes sentimentos, de diferentes dimensões neste capítulo da minha vida. Porque na verdade, eu já tive um pai.

 

Nos meus primeiros anos, tive aquilo a que se chama pai. Ele dava-se ao trabalho de o ser. Fazia por ter tempo para brincar comigo, preocupava-se e era uma pessoa muito atenta, talvez até a mais atenta. Queria acompanhar todos os meu sucessos mas também confortar-me nos meus fracassos. A minha irmã também fazia parte da cena, mas sendo mais nova, acho que nunca absorveu tantas memórias boas como eu. Talvez seja por isso que me custa mais aceitar. Custa, custou durante todos estes anos e continua a fazer me uma enorme confusão. Sempre que ele fazia alguma coisa bem, compensava com quatro ou cinco erradas. Porque será que isto acontecia? Se era meu pai, não seria suposto amar-me mais que tudo? Não seria suposto ter orgulho nas filhas que tinha? Não seria suposto comportar-se, como se comporta a minha mãe?

 

Tudo começou a mudar quando a família de mudou para Portugal. Para além de ter deixado de ser marido, deixou também de ser pai. Como consequência, pouco tempo depois chegou o divórcio. Divórcio este que também incluiu as filhas. (Isto para não falar em toda a família da parte dele, que foi pelo mesmo caminho). Durante anos, a minha mãe incentivou a aproximação. Quantas não foram as vezes que aquela mulher insistiu para lhe ligar-mos, para falar com ele. E nós, liga-mos. Mais que uma vez, mais que duas. Um almoço aqui, um lanche ali, encontros meramente esporádicos, de conhecidos, mas nunca das pessoas que éramos na verdade.

 

É estranho, sabem? Saber que aquela determinada pessoa deveria ser nosso pai e termos sentimentos por ela mas existir só um vazio. Uma ausência de sentimento. E tantas vezes me culpei por isso, tantas vezes me chamei os piores nomes apenas por ter estes pensamentos.

 

Continuei a tentar. Ele não ligava, ligava eu. Ele não perguntava como eu estava, perguntava eu. De certa forma, forcei a relação. Porque eu queria que houvesse relação. Mas depois de tantos anos, não seria ingenuidade da minha parte? Não deveria saber já que tal não era possível?

 

A derradeira tentativa, foi esta: vir morar com ele e com a companheira atual. Numa altura em que me desempreguei, nem cheguei a procurar trabalho porque decidi que queria saber daquilo que eu própria era capaz. Libertar me das amarras do que acontecera na Inglaterra, ter a certeza que a relação em que estou tem futuro (Resultou! A distância fez-nos bem e estamos mais unidos que nunca!), saber como era, depois de tantos anos, voltar a conviver e viver com o meu pai.

 

Na primeira semana correu tudo bem, em todos os sentidos. Cheguei a acreditar que era possível resolver anos de ausências, de desilusões, de expectativas furadas. Dois meses depois, é me mais que óbvio que isto não resultou. Pelo menos não da forma que planeei. Estou a viver literalmente num campo de batalha, e eu sou claramente o alvo a eliminar. Ele - morde pela calada. Na minha frente é tudo uma delícia, por traz julga-me por todo o meu presente, passado e quaisquer ideias de futuro. Ela, nem sei bem o que dizer. Nunca quis acreditar naquela história de que as madrastas são 'más' mas não restam muitas dúvidas aqui... Tenho me esforçado imenso mas não consigo entender o objetivo inicial deles. Se não me queriam cá, porque me incentivaram a vir, me prometeram mundos e fundos, até para o Doce, e logo a seguir me dão um pontapé no rabo?

 

Custou-me tomar a decisão mas não aguento mais o clima aqui vivido. A constante falta de entre-ajuda, as conversas altas propositadas para eu ouvir, as constantes piadas e indiretas. Já estive suficientemente perto de uma depressão para me oferecer voluntariamente a uma recaída. 

 

No próximo Domingo é dia do pai. Pai... Será que posso sequer chamar-lhe isso? Sinto que finalmente tenho a resposta. Não posso chamar pai a alguém que há muitos anos não o é. Parece-me também injusto felicitar ou presentear alguém num dia dedicado às pessoas que se preocupam verdadeiramente com os filhos. Ele não representa praticamente nada na minha vida, nem na da minha irmã. Por isso, para mim, este Domingo será apenas mais um Domingo.

 

O Domingo ideal para eu regressar a Portugal.