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Sweetener

Ser feliz com adoçante!

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27
Out15

Bipolaridade ou crise de identidade?

Sei lá eu que nome lhe chamar. Estou tão triste, desiludida e até chateada, comigo mesma. Por não saber o que sinto. Não saber o que quero.

 

Um ano, 365 dias de espera interminável. A ansiedade de um novo começo, a vontade de começar uma vida nova, montes de oportunidades. Três semanas, 24 dias foi o tempo que aguentei longe de casa, 10 dos quais, passados na universidade. Quinze dias depois, ainda não sei concretamente o que me levou a tomar a decisão.

 

E porquê? Porque é que quis tanto ir para Londres? Porque é que finquei pé até o conseguir? Porque é que fiz os meus pais gastar tanto dinheiro? Porque é que não descansei antes de me vir embora? E porque é que, não me sinto tão feliz como devia por ter voltado para casa?

 

Acabo a sentir-me ridícula pelo que deixo transparecer. E o blog? É aquele refúgio, onde sinto liberdade suficiente para escrever aquilo em que penso. É como que para me obrigar a reflectir sobre o assunto, porque sei sempre que vou ler. Devo sofrer de bipolaridade ou estar a atravessar uma crise de identidade. Bom, talvez a resposta mais assertiva é ser só uma miúda mimada que não sabe o que quer.

 

 

24
Set15

Reações surpreendentes

Hoje decidi escrever. Sem qualquer post planeado ou tema em concreto para falar. Apeteceu-me simplesmente, e acho que depois de toda a propaganda que fiz em relação a esta minha mudança de vida, devo-vos actualizações. Como sabem, estou em Londres há (quase) três dias. Resumindo por miúdos? Têm sido os dias mais longos e difíceis de toda a minha vida. Porquê? Porque percebi que não me conheço. Ou sendo mais concreta: não me reconheço.

 

Este último ano foi todo ele uma espera terrível. O nunca mais chegar Setembro, o nunca mais sair do ninho, o nunca mais mudar de vida, nunca mais ir para a universidade... E agora que chegou, só quero voltar para casa. Andei este tempo todo ansiosa pelo que aí vinha, ansiosa por estar a planear fazer uma mudança de 180º na minha vida. Uma mudança valiosa para o meu futuro, um alargamento de culturas, um aperfeiçoamento da língua inglesa, um novo leque de amigos, entre tantas outras coisas. Eu bem vos disse aqui, que me sentia completamente zen. Acho que agora percebi o porquê.

 

Eu não estava zen coisa nenhuma, estava simplesmente num estado de dormência. Como se estivesse fechada numa bolha, que ninguém conseguia penetrar. A bolha rebentou quando chegou o momento de me despedir da irmã e da mãe. Sim, porque elas insistiram em levar-me ao aeroporto de Lisboa, coisa que aceitei, ainda que contrariada. Achei que só ia aumentar o sofrimento de nos despedirmos à última das horas. Mas foi só e apenas no momento de passar pela segurança, o momento em que ia deixar de as ver, de lhes puder tocar que o mundo me caiu aos pés. Elas, a manterem-se fortes, e eu, a derramar que nem uma criança que perdeu o balão.

 

Todos os momentos que se seguiram foram um tormento. A viagem de avião, apesar de todo o amor que a TAP me deu (para quem só tinha viajado na Easyjet e na Ryanair, andar na TAP: um sonho) foi um sofrimento. A metade em que não me encontrava a dormir, passei-a a chorar. Incapacidade de controlo emocional. Bastou fechar-se a porta por trás de mim para me mentalizar do que estava a fazer. Sinto-me reduzida a um nada. Sinto-me pequenina. Indefesa. Sozinha. E o que mais me custa, é saber que todas as pessoas que estão a sofrer com a minha ausência se mantêm fortes e me incentivam a ficar, a lutar pelos meus sonhos, pelas minhas ambições.

 

Não tem nada a ver com a cidade, a língua, as pessoas, nada de nada. Tem a ver comigo. Só comigo. Percebi que não sou capaz. Quem me estiver a ler agora diz: "só aí estás há três dias, como podes fazer já essa avaliação?". Faço-a porque ainda resta um pouco de bom senso na minha mente. Faço-a, porque sei que se não me sinto feliz agora, ficar cá só vai piorar o meu sofrimento.

 

Esta viagem permitiu-me descobrir/ter a certeza de uma fraqueza minha. Não sou capaz de lidar com a ausência das minhas Marias. E como diria o Pedro Abrunhosa: