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12
Jul17

Cirurgia de redução mamária

Pensei imensas vezes se algum dia devia falar sobre o assunto... Não por ser segredo, mas porque em certo modo achei que era um assunto demasiado privado para partilhar. Mas cheguei à conclusão que este espaço é o meu diário virtual e por isso, não faz mal nenhum falar sobre uma experiência que marcou muito a minha vida. Sendo um assunto algo complexo, optei por não colocar vídeos ou imagens demonstrativas porque até a mim me assusta saber que fui submetida a uma coisa dessas mas sintam-se livres de pesquisar caso queiram saber mais sobre o assunto.

 

Entrei na puberdade mais tarde que a maioria das raparigas (por volta dos 16 anos). Em pouco mais de meio ano fui presenteada com um peito grande e muito desigual. Tinha um peito dito normal e outro praticamente em dobro, uma assimetria a ponto de me prejudicar a coluna e me causar muito mal estar. À medida que os meses passavam as dores pioravam e, depois de muito andar, e falar com o meu médico de família, consegui ser operada aos 18 anos.

 

A operação propriamente dita correu bem, tal como o pós-operatório. Nada infeccionou nem me deu problemas de maior. A questão foi, que fui operada por um péssimo cirurgião. Cirurgião esse, que não cumpriu o que me disse. Horas antes, fora me prometida uma redução em ambos os seios, coisa que iria fazer a minha coluna ficar bem, o meu peito ficar mais pequeno e a minha auto-estima voltar para cima. Acabou por não acontecer... Na realidade, foi me reduzido um peito, e o outro... O outro foi só deformado... O Sr. Cirurgião achou por bem operar apenas o peito maior, fazendo no outro, como toque final, apenas uma correção ao mamilo. Medicamente falando, fiz uma mamoplastia de redução num e uma mamoplastia periareolar no outro.

 

O resultado final, esteticamente, foi horrível. Já para não falar que me submeti a uma cirugia em que a assimetria seria corrigida mas, criaram me foi outra. Sim, a que antes era maior, depois ficou mais pequena que o par. O melhor, foi quando questionei o médico e a resposta dada:

 

"Minha querida, nem o criador as fez perfeitas. Achas que eu te fazia milagres?"

 

A vontade de processar aquele homem foi tanta! Depois de me ter feito a merda que fez, ainda tem o descaramento de me dizer aquilo?! Mas acalmei-me, recebi a minha alta hospitalar e voltei à minha vida. Três longos meses de recuperação e só depois, voltei à sociedade.

 

Se já se situaram no tempo cronológico, já perceberam que mais mês menos mês, fui para Londres. A coisa ficou de parte, quase esquecida e segui o meu caminho. Mas, quis o destino que eu voltasse rápido e com o regresso, foi também altura de me colocar em lista de espera outra vez. Foi quando soube que em Viseu, já só faziam cirurgias a pessoas com cancro da mama e fui reencaminhada para os HUC, em Coimbra, onde estive dois anos à espera. É então que recebo um vale de cirurgia, em Dezembro passado, poucos dias antes de embarcar para a Alemanha. Informei-me bem sobre o assunto e percebi que poderia recusar sem sair prejudicada. Assim foi, mantive os planos e acabei por, mais uma vez, ir e vir num piscar de olhos. O segundo vale não tardou a chegar e já em Portugal, decidi que era desta que se ia resolver o assunto de vez!

 

O vale de cirurgia, para quem não sabe, consiste em ter direito à operação a custo zero numa instituição privada. Pensei logo em pedir transferência para Viseu, já que a CUF tinha aberto há poucos meses e a especialidade em causa existia lá. Mas não pedi, porque o cirurgião mestre, é o desgraçado que me operou da primeira vez. Nem pensar que voltava a pôr-me naquelas mãos!

 

A comunicação paciente-hospital começou e em pouco mais de um mês fui à consulta e a cirurgia foi agendada. Assim, faz hoje um mês que fui operada em Coimbra, numa clínica particular. E parece que desta vez, ficou tudo certo. Fui tratada como uma verdadeira princesa, em todos os sentidos (coisa que provavelmente desenvolverei num outro post). Estou muito satisfeita com tudo: o aspeto da cicatriz, o pós-operatório, e todos os curativos até aqui feitos.

 

A recuperação exige grande dependência e pouco mais faço que levantar e deitar-me no sofá a ver televisão. Sinto assim que ao contar o que está a acontecer, justifico a minha ausência. Espero aos poucos recuperar a mobilidade e autonomia, retomando assim, o ciclo normal da vida 

 

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