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Sweetener

Ser feliz com adoçante!

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Ser feliz com adoçante!

05
Ago18

Para as meninas da Calzedonia

"Bom dia - era aquilo que me deviam ter dito logo para começar. Sei que não entrei na vossa loja a falar francês, inglês ou qualquer outra língua. Poderia tê-lo feito mas como habitante nacional que sou, falei a minha língua materna. Já sei que não sou emigrante e que, na vossa linha de pensamento, não tenho dinheiro para gastar. É aí que começa a vossa discriminação.

 

Entrei e nem me cumprimentaram. Levava uma roupa demasiado simples, não foi? 

Peguei num bikini e esperei que uma das duas, estando ao meu lado, tivessem a prontidão de me oferecer ajuda. Nada. É incrível que só nos dias em que eu efetivamente não quero comprar nada, me bombardeiam com tanta oferta de ajuda e tanta boa vontade em que "só experimente, não perde nada" traz sempre o propósito de uma pessoa se apaixonar ao espelho e cair na tentação.

 

Continuei à espera até que pela segunda vez, pedi ajuda. Aí, menina mais alta, olhaste-me de soslaio e disseste que só tinhas o que estava exposto. Pedi-te ajuda com os tamanhos e a simpatia da tua resposta deixou-me sem ar. É engraçado que do outro lado da loja, a tua colega conseguiu desencantar exatamente o modelo que eu estava à procura, numa cor diferente, no mínimo.

 

Fui experimentar, aparentemente contra a tua vontade e lá me decidi pela compra. Fiquei 7 minutos na caixa, á espera, para pagar. Tenho a dizer que, como cliente antiga, nunca fui tão mal atendida. Ah, espera... Esqueci-me que havia emigrantes na loja.

 

Por isso, meninas que não me atenderam na loja do Palácio do Gelo, obrigada pelo vosso excelente atendimento, predisposição de ajuda, simpatia e sem dúvida, capacidade de vendas.

 

Quem me dera poder dizer hoje à gerente que escolheu tão mal naquela entrevista."

 

28
Set17

A lição de hoje

Assisti hoje a uma situação no parque do supermercado que me deixou visivelmente incomodada. Não só pelo ato mas pela frieza que alguns animais racionais têm.

 

Todos nós já fomos abordados ou vimos pessoas pedintes. Sejam aqueles que só estão recetíveis a colher dinheiro como aqueles que têm verdadeiramente fome e aceitam tudo. Aqueles que só procuram uma moeda ou os que vendem o próprio trabalho traduzido em cestos.

 

Uma menina hoje, aparentemente da etnia cigana, com o pequeno à parte de estar muito mais bem tratada e com mais educação que a maioria, abordou imensas pessoas nesse parque de estacionamento. Não tenho por hábito dar dinheiro, porque acredito que se estas pessoas têm fome, é bens alimentares que devem receber e não valores monetários.

 

Vi a rapariga a abordar um senhor, que como quem afasta a peste, a mandou dar uma curva. Uma outra senhora que lhe fez praticamente o mesmo. Continuei a arrumar as minhas compras e tentei não olhar fixamente para ela não me abordar a mim. Então vejo que o primeiro sujeito arruma o carro, e nele, deixa uma bela quantidade de tabletes de chocolate. Pensei em falar mas quando o ia fazer, já a miúda ia em direção ao carro. 'Vai ficar com eles', pensei eu mas senti um imediato peso na consciência quando a vejo dirigir ao homem que antes a tratara como lixo. Pediu desculpa e disse que o senhor se havia esquecido daquilo no carro. Este animal (peço imensas desculpas) olha para ela de soslaio, arranca-lhas da mão e manda-a afastar-se.

 

Fiquei em choque eu e quase se certeza a pobre coitada que acreditou com a boa ação, arrecadar no mínimo um agradecimento. Mas nada, absolutamente nada mais que mau trato.

 

Olhei para o que trazia nos sacos e não tinha nada mais adequado que um par de iogurtes. Chamei a menina e ofereci-lhos. Elogiei-lhe a atitude e disse-lhe que não era muito, mas que se fosse alimentar. Os olhos da menina brilharam tanto que posso garantir-vos que lhos dei com o maior agrado possível. Agradeceu-me mais que uma vez e foi toda alegre juntar-se à, suponho eu, família. Deu me gosto e ao mesmo tempo pena ver a satisfação com que a rapariga pegou neles e me agradeceu piamente como se lhe tivesse dado um pedaço de ouro. Aquele sorriso inocente, foi o melhor agradecimento e a melhor chapada sem mão que ela me podia ter dado.

 

Julguei o livro pela capa e enganei-me redondamente...

Obrigada querida, pela lição que me deste hoje.

 

10
Fev17

Viver na Alemanha - as pessoas

Sinto que as pessoas aqui são civicamente mais educadas.

 

Os lugares reservados a pessoas deficientes físicas ou motoras, são para as mesmas. Não há nenhum otário a parar nem a estacionar lá como é tão recorrente ver-se em Portugal. As pessoas, principalmente as crianças, e aí é que entra todo o meu espanto e admiração: se chegar alguém carregado ou uma pessoa idosa, os mesmo são os primeiros a levantar-se e a ceder o lugar que ocupavam até então, nem que para isso tenham que ir em pé uma carrada de tempo! Sabem a frequência com que via isto acontecer em Viseu? Se pensar bem, talvez 1/1000. Há toda uma cordialidade entre os meios de transporte fascinante, uma boa organização no trânsito, nada de protestos, muito menos buzinadelas! São todos muito mais relaxados e felizes!

 

São situações que tenho presenciado e me têm agradado bastante, principalmente por ver que a geração que se segue, ainda tem qualquer coisa de útil naquela cabeça. Ainda há pais que sabem dar os valores base aos seus filhos. E eu que já quase nem tinha esperança de voltar a dizer isto!

 

02
Jan17

Atendimento Prioritário

Como toda a gente sabe, recentemente houve uma actualização no Decreto-Lei nº 58/2016 que nos diz que deixou de haver um local para o atendimento prioritário, mas sim todos eles de uma forma geral. Sinceramente? Estou de acordo e acho muito bem. Agora depende daquilo que algumas pessoas vão querer fazer disto.

 

Na sexta feira passada, entre muitos lugares, fui ao Pingo Doce. Com a confusão esperada, devo ter demorado uns bons 20 minutos na fila para pagar um mísero saco de sílica em promoção para o meu pequenino. Atrás de mim na fila, havia um senhor com um carrinho e uma bebé. Quando finalmente chegou a minha vez de ser atendida, o instante da abordagem da operadora de caixa foi o mesmo em que a bebé me pontapeou a carteira e me fez olhar para trás. Ri-me para ela, e fiquei umas milésimas de segundo entretida. A operadora de caixa pergunta me assim que me volto para ela, se a bebé era minha, muito atrapalhada por não me ter cedido prioridade. Ao que eu respondi prontamente que não. Foi então, que ela sugeriu de forma pouco subtil, que deixasse o senhor passar. Olhei estupefacta para ela, como quem lhe dizia mentalmente se ela não conhecia a lei na sua íntegra. Quando ia intervir, o senhor fê-lo por mim, ao frisar que estava acompanhado de uma criança, sim, mas não de uma criança ao colo.

 

Não foi nada de mais, e teria com toda a certeza deixado passar qualquer pessoa. Desde que fosse verdadeiramente uma prioridade, o que neste caso, não era certamente. Mas felizmente, a pessoa que me seguia, foi civilizada o suficiente e sabe da lei na sua íntegra.