Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sweetener

Ser feliz com adoçante!

Sweetener

Ser feliz com adoçante!

19
Abr16

Livro de Elogios

Na sapataria adquirimos recentemente um outro tipo de livro, para complemento do de reclamações: o de elogios. Funciona da mesma forma: identificação da pessoa que elogia e da que vai ser elogiada, o elogio em si, a assinatura e uma cópia para o cliente se assim o quiser.

 

Creio que quase todas as colegas de loja já tiveram elogios. Eu, pelo menos, tenho 4 até à data. Dois deles que simplesmente dizem que a funcionária foi simpática e atenciosa, outros dois que foram verdadeiros elogios, com um bonito palavriado e um deles, feito à frente do meu patrão.

 

Faço o meu trabalho o melhor que sei. Tento manter sempre a simpatia e sobretudo a boa educação. Se há clientes que me irritam de vez em quando? Há. Se há dias em que me apetece fugir para longe desta gente doida? Há. Se há dias em que alguns cliente merecem respostas à letra? Há. Mas somos só funcionárias, e pelo senso comum: temos que ouvir e calar.

 

29
Jan16

E depois há colegas assim...

Nas últimas semanas, tenho sentido que todos os passos que dou na empresa, estão a ser observados com mil olhos. Talvez porque esteja na minha vez de ser avaliada como funcionária, ou simplesmente porque lhes apetece.

 

Recentemente, num dia como qualquer outro, em que fiz o turno da noite, deparei-me com uma colega que se demitia. Não disse as razões mas a verdade é que gerou alvoroço nas outras que ficaram. Com uma loja que precisava das pontas seguras, o patrão, olhou para mim e não sei lá porque alminha, decretou-me responsável de loja. Assim, sem saber nada, sem me explicar nada, e saiu. Tinha começado a fazer caixa no dia anterior. Ainda mal sabia fazer pagamentos, quanto mais segurar uma loja.

 

Mas lá se fez, não foi nada do outro mundo. Até recebi um elogio da patroa (Milagres!), quando viu através das câmaras, com toda a certeza, que eu estava um bocadinho em pânico com toda a responsabilidade que me passaram para cima. Ou por bom, ou por mau trabalho, a verdade é que tenho ficado pela minha cidade, o que em certo ponto, é melhor para mim.

 

Se ainda não vos disse, ali trabalha-se por objetivos. Não ganhamos à comissão, mas são apontadas todas a vendas de cada funcionária, para provar, num conjunto de dias se somos boas vendedoras, ou se deixamos os clientes servirem-se sozinhos.

 

Já estava a trabalhar há duas horas e ainda não tinha entrado dinheiro em caixa. Entrei em pânico, porque já sabia que, mais cedo ou mais tarde, iria receber um telefonema lá de cima a chamar-me à atenção. E quando constato que a colega da loja ao lado, estava a trabalhar bem, passei-me ainda mais. Ia ouvir pela certa.

 

Disse-lhe, num misto de emoções...

 

- Estou a fritar a pipoca Andreia, ainda não vendi nada!

- Colega, não frites as pipocas porque estás na tua hora de trabalho, não podes comer!

 

Isto tudo, só para chegar aqui. Há colegas que com coisas tão parvas, sabe-lá porque, conseguem dar ânimo. E a verdade é que depois, o dia acabou a correu bem. 

 

25
Jan16

Ouve-se por cá #2

Na empresa, temos uma 'política' que nos permite guardar um artigo durante 24h para um qualquer cliente. Passadas as tais, e se o cliente não passar, é posto novamente à venda. Com excepção, de haver algum interessado e, milagrosamente, ser par único.

 

Antes de ontem, atendi um jovem que gostou de umas botas cujo tamanho pretendido, era uma reserva. Sendo que, o lema é vender, fui logo a correr verificar o sistema, e para minha sorte (ou azar), era único. Ok, calma, liga ao Sr. da reserva, porque o tempo está quase a acabar e ele ainda não veio. E foi isso que fiz...

 

- Boa noite, estou a falar com o Sr. João Mendonça?

- (Uma mulher) Sim, o que quer?

- Aqui é da Sapataria, boa noite

- F****, que chatas do ca*****. (passa o telefone ao homem, penso.)

- Diga, o que foi?

- Boa noite, gostaria de saber se sempre está interessado nas botas que mandou guardar, é que de momento tenho um cliente interessado e o tamanho, já é o único, ainda passa por...

- Vão para o car****! Pu*** de m****! 

 

E desligou. Claro está, vendi as botas. Clientes bem educados, hã?!

 

24
Dez15

Rubricas (ou uma espécie de)

Faz praticamente dois meses que estou a trabalhar na sapataria. Com tudo isso, conheci pessoas novas que mantêm uma distância de segurança enorme: não passam nem vão passar de colegas, novos sítios - atendendo à localização de algumas lojas e até clientes muito pouco divertidos. Poderia dizer que era da época que estamos a viver, mas acho que não. É mesmo estupidez pura. E como vou ouvindo umas pérolas de vez em quando, acho que vou presentear-vos com elas.

 

A de hoje, foi de ontem. Uma família numerosa (8 pessoas) numa sapataria pequena, sem contar com uns quantos outros clientes, decide o homem da casa (aparentemente) que quer comprar umas botas. Ok, vamos lá mostrar uns modelos ao senhor. Nisto, enquanto ele exprimenta, pergunto:

 

- Então, como se sente com elas? Gosta?

- Gostar gosto, mas gostava mais da menina vestida de mãe natal em minha casa.

 

Mulher, filhas e restantes rieem-se. Eu, como não percebi a piada, e para não dar ar de mal educada fui simpatica e sorridentemente atender outro cliente. Será isto normal? Acho que não, mas vai ser sempre assim.