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Sweetener

Ser feliz com adoçante!

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16
Out17

A repetição do Verão

Ontem quando vinha para casa depois do meu turno, senti que algo não estava bem. O céu tinha uma cor fora do normal. Um ar de trovoada mas ao mesmo tempo o céu meio avermelhado. Fiquei intrigada mas sabia que o fogo ainda estava longe.

 

Hoje, ao sair para o trabalho tive medo. Medo no verdadeiro sentido... Vi todos os carros pintados de cinza, uma luz de km em km. As ruas desertas, completamente apagadas. Um cheiro medronho e bastante incomodativo. Uma névoa que dificultava imenso a visão. Quando entro no hotel percebo que não há comunicações. Televisão, telefone fixo - nada de redes térreas. Olho para o pequeno pátio que temos - parecia ter havido uma queimada. Tanta mas tanta cinza, tanto lixo, tanta prova viva de tudo o que está a acontecer aqui ao redor.

 

Os hóspedes que iriam ficar mais dias pediam para sair mais cedo, os que chegariam hoje cancelaram. As estradas estão cortadas, não há acessos. Tudo por causa deste maldito espetáculo que se repete inúmeras vezes, todos os anos. Há meia dúzia de anos que tenho a noção da realidade, e é há mais ou menos esse tempo que gosto de ver as notícias. Há esse tempo também que ouço falar em prevenção, em limpeza das matas e todos os demais.

 

Há quatro anos foi no Caramulo. Paredes no ano passado. O tão falado de Pedrogão Grande. "Não se repetirá Pedrogão Grande!" Será que não? Então como se explica que quatro meses depois, estamos a viver o que estamos na região centro? Coimbra, Guarda, Aveiro e principalmente Viseu. O meu Viseu. A suposta melhor cidade para viver... Como é que uma coisa destas é possível? Como é que andamos há anos a falar e falar, mas não passa disso mesmo? Porque raio é que só se fala e NÃO SE FAZ NADA?!

 

Oliveira de Frades ardeu. Penacova está lá perto. Mangualde anda igual. Vale de Cambra, Seia, Gouveia, Oliveira do Hospital... Tudo zonas que eu conheço, onde já passei. Tudo aqui tão perto... Não se pode andar na rua de tanto fumo que existe. Mal se consegue respirar, mesmo com máscaras. Os olhos já doem, a única chuva que há é de cinza... Onde está a prometida chuva? Se realmente existe uma força superior, onde é que ela está a prestar auxílio agora?

 

Eu estou em casa, estou em segurança. Mas infelizmente muita gente não está. A aldeia vizinha dos meus avós está a arder. O Doce anda por aí a trabalhar. Já para não falar em todos os populares a bombeiros que andam por ali a salvar-nos. Ou a tentar pelo menos. E todos eles têm família, todos eles têm alguém que estará com o coração nas mãos.

 

De pouco adianta estar para aqui a escrever, nada disto muda alguma coisa. Só peço que ajudem como vos for possível. Seja a comprar águas e mantimentos, seja a dar sangue (O Hospital de Viseu emitiu um comunicado onde informam que estão muito necessitados!), seja no que for. Se cada um fizer o que lhe está ao alcance - está a dar alento àqueles que nos estão a defender.

 

Que todos desse lado estejam bem. Um abraço sincero 

 

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